Zé Rocha: o autarca “do povo”

“A política a mim não me diz nada. Quero apenas contribuir para o bem-estar das pessoas. O povo depois que avalie o meu trabalho”. José Rocha Gonçalves (Zé Rocha, como é popularmente conhecido), 60 anos, é um autarca muito peculiar. Cumpre o seu terceiro mandato como presidente de Junta de Freguesia, o segundo à frente de uma União de Freguesias que representa mais de 28 por cento (2366 eleitores) do eleitorado do município de Celorico da Beira, e, ao contrário de muitos políticos, o cargo não lhe tem desgastado a imagem. Pelo contrário. A cada eleição a sua legitimidade sai reforçada, aumentando o número de votos. Dos 39 votos de diferença na sua primeira eleição, em 2009, nas últimas eleições pulverizou o segundo candidato mais votado (que levou na sua lista as secretária e tesoureira do anterior executivo) ao conseguir uma diferença de 409 votos, contribuindo para o PSD “roubar” a Câmara Municipal ao PS, onde a diferença foi apenas de 237 votos.

Sempre bem-disposto, cordial com todas as pessoas, independentemente da cor política, Zé Rocha tem uma explicação simples para este seu sucesso junto da população. “Quando me candidatei foi para servir o povo. Não a mim ou a qualquer partido político. O meu objectivo foi sempre contribuir para melhorar a vida das pessoas, ser uma espécie de amparo para uma população envelhecida e alguém a quem recorrem quando precisam de resolver um problema. Ser o elo de ligação com o município, até porque muitas são idosas e não sabem como resolver os problemas. É isso que tenho feito”, explica com algum orgulho, assegurando que as pessoas lhe têm retribuído tudo isso com carinho. E, claro, votos.

“O próximo grande investimento será em Vila Boa do Mondego”

Não menos importante para o seu êxito, vai dizendo, é o facto de estar sempre próximo das populações, “com muitos idosos”sentindo no terreno os seus problemas e angústias e nunca faltar à palavra dada. “As pessoas sabem que quando digo que algo vai ser feito é um contrato sagrado”, conta, salientando que de 15 em 15 dias, pelo menos, faz um périplo pelas aldeias (Aldeia da Serra, Espinheiro e Vila Boa do Mondego) que estão a seu cargo. Convive com as pessoas, toma nota dos problemas e depois trata de os resolver. “Sou um homem do povo, não sou um político. Recebo as pessoas em qualquer lugar, não precisam de se deslocar à Junta. Basta telefonarem. Não há ninguém que diga que precisou de falar comigo ou de resolver qualquer problema e que eu lhe tenha dito que não”, conta, sublinhando que o salário que recebe no primeiro mandato foi oferecido a instituições de solidariedade social  e agora é gasto no convívio com os seus eleitores. “A Junta tem uma carrinha, mas ando sempre no meu carro e depois nos convívios já se sabe como é, paga um depois paga outro….”.

Outro dos aspectos que não abdica é o de fazer as obras socialmente necessárias e manter nas aldeias, caminhos rurais e cemitérios impecavelmente limpos. Nas aldeias, porque a parte da União de Freguesias que está no perímetro da vila é da responsabilidade da Câmara Municipal. “Os cemitérios são locais sagrados, têm de estar muito bem tratados. As ruas e os caminhos rurais têm de estar limpos. É algo que considero fundamental. Também em termos de investimento, nunca faço uma obra de fachada. Para se gastar dinheiro tem de ser para tornar a vida das pessoas melhor”, conta, exemplificando com a ARS do Espinheiro que levou um telhado novo e a Junta suporta a conta da água e luz. “Caso contrário, não havia ali um café, um ponto de encontro para as pessoas conviverem. Nós apoiamos, mas as pessoas de lá, para a manter aberta, trabalham por amor à terra, sem qualquer contrapartida”, diz, referindo que o próximo grande investimento, depois do que já foi realizado no Espinheiro e na Aldeia da Serra, será na Vila Boa do Mondego. “Não é algo que tenha prometido, mas é um pedido da população que faz todo o sentido e vai ser realizado ainda neste mandato”, conta, recusando-se a explicar qual será a obra.

Entrada na política através da excursão dos “Zés”

A entrada na política de Zé Rocha aconteceu por acaso. Durante uma excursão dos “Zés”, o anterior presidente da Câmara José Monteiro lançou-lhe o desafio para ser candidato às autárquicas de 2009 pelo PS à Junta de Freguesia de S. Pedro. Recusou. José Monteiro insistiu. “Quando já estávamos no último copo, já em Celorico, no restaurante Dragão, lá acabei por lhe dizer que aceitava”. Aceitou e venceu. Por 39 votos de diferença. Em 2013, recandidatou-se à agora União de Freguesias de União de Freguesias de Celorico da Beira (São Pedro e Santa Maria) e Vila Boa do Mondego e repetiu a vitória, agora com 172 votos de vantagem para o seu adversário directo. Terminado o reinado socialista de José Monteiro, aceitou o convite do PSD para se recandidatar em 2017. Nova vitória. Agora com 409 votos, mais 179 que a lista concorrente à Câmara Municipal do partido que o apoiava.

“Sinto-me realizado, porque o povo apoia-me e acarinha-me. Se não sentisse isso, nunca seria candidato”, conta, ele que ainda tem a possibilidade de se recandidatar a mais um mandato. Ainda não sabe o que irá fazer. “Sei que estarei sempre disponível para ajudar as pessoas, seja como for”, frisa Zé Rocha que começou a trabalhar aos 13 anos num estabelecimento comercial, aos 15 alistou-se nos Bombeiros Voluntários, onde permaneceu cerca de duas décadas. Mais tarde, tornou-se empresário com o antigo estabelecimento Pinheiro e Amaral (mais conhecido por Rapazes).

Agora, além das tarefas da Junta de Freguesia e da presidência da Assembleia da Santa Casa da Misericórdia, dedica-se à horticultura. “Faço os mercados da Guarda, Fornos de Algodres, Pínzio e Pinhel. É uma vida muito preenchida, mas tenho sempre tempo para a Junta”, conta, sublinhando que quando abandonar a vida de autarca vai sentir “muitas saudades”. “Do carinho e de ajudar a resolver os problemas das pessoas”, conclui.